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domingo, 2 de setembro de 2018

Minitrekking no Perito Moreno com crianças - El Calafate - Dia 7 - Argentina

Dia 7 - 05 de Setembro



Esta foi sem dúvida nenhuma, a experiência mais bacana de toda a viagem.






Levantamos cedo e às 8h já estávamos na estrada em direção ao Parque Nacional dos Glaciares. Era o dia de conhecer o Glaciar Perito Moreno e fazer o minitreking sobre a geleira. Havíamos comprado nossos ingressos no dia anterior.



O caminho até o parque por sí só já é um passeio muito bonito. Logo após a entrada do parque, a estrada vai circundando o Lago Argentino, com vistas de tirar o fôlego.

A primeira parada foi no Mirador Los Supiros, um mirante de onde se enxerga o Glaciar Perito Moreno pela primeira vez dentro do parque, ainda de longe. Se chama Mirador Los Suspiros, porque a imagem é tão bonita que todos suspiram por lá...


Mirador Los Suspiros


Primeira vista do Perito Moreno do Mirador Los Suspiros
Seguindo pela mesma estrada, chegamos ao pequeno porto onde um barco estava a nossa espera para fazer a travessia do Lago Argentino, levando-nos até o outro lado do lago, de onde partem os trekings sobre o Perito Moreno. 


Aqui vou fazer uma ressalva: ouvi muitas pessoas que fizeram o treking, falarem que não fariam o passeio Rios de Hielo, que havíamos feito no dia anterior, conforme comentei aqui. Alegavam que a travessia do Lago Argentino para o minitrekking e o passeio Rios de Hielo são muito semelhante. Bem, eu não achei nada parecido. Para quem quiser ver os enormes icebergs, tem que fazer o passeio completo, Rios de Hielo.

Mesmo assim, a travessia com o barco que leva para a base do minitreking é muito bonita, por acontecer bem próxima do Perito Moreno. A cada momento, escuta-se o barulho do desprendimento de partes do glaciar, fazendo com que grandes blocos de gelo caiam na água. Primeiro vem o estrondo que parece um trovão, depois o gelo cai formando ondas no lago que atingem o barco.


Visão do Perito Moreno durante a travessia do Lago Argentino para fazer o minitreking
A geleira muda diariamente com a ação do vento, sol e chuva. A neve que cai nas montanhas, empurra a geleira em direção ao continente, um processo que dura milhões de anos. Ou seja, o gelo onde pisamos durante o minitreking, tem milhões de anos.

Devido a essa transformação, um rio havia se aberto sobre a geleira e destruiu uma passagem por onde se chegava à base da geleira para iniciar o trekking. Tivemos que caminhar entre um bosque até chegar a uma outra base. Foi uma bela caminhada, mas a paisagem era tão linda, que nem ligamos.


Lindas paisagens 
Antes de subir ao glaciar, cada pessoa recebe orientações rápidas de como caminhar, do que pode ser feito e do que não pode ser feito em cima do gelo. Após a explicação, grampones foram colocados nos nossos sapatos. Esses grampones são pequenas garras de metal, que se prendem ao gelo e evitam que as pessoas escorreguem.


Base de onde parte o minitreking e onde se coloca os grampones nos sapatos


Perito Moreno encontrando o continente
Iniciamos a subida ao glaciar, acompanhados de vários guias. O 
passeio acontece apenas numa pequena parte do glaciar, que é imenso. Por incrível que pareça, em cima do glaciar a sensação térmica não era de tanto frio.

Fiquei bem preocupada no início, quando vi o tamanho e altura do glaciar, já que nosso filho de 10 anos estava junto conosco. Mas, quando percebi o cuidado que os guias possuem com todos, relaxei. Aliás, o minitreking pode ser feito por pessoas entre 10 e 65 anos. A dificuldade é média e o passeio em cima do glaciar, dura aproximadamente 1h30min. São formados pequenos grupos para subir, de umas 10 a 15 pessoas de cada vez.


Grupos iniciando o minitreking sobre o Perito Moreno
O treking é emocionante e tudo é extremamente bem organizado. Durante o treking, os guias vão explicando tudo sobre a formação de um glaciar, como ele se modifica, sobre suas fendas, seus vales, lagos e montanhas... isso mesmo, em cima do glaciar existem vales e montanhas, tudo feito do gelo milenar. Esse passeio é um must... é algo que todos deveriam poder fazer pelo menos uma vez na vida. Por mais que eu tente descrever aqui, jamais vou conseguir expressar a grandiosidade e beleza de uma geleira vista de cima. 


As perigosas fendas do Glaciar


Treking sobre o glaciar Perito Moreno com uma criança de 10 anos


Guia muito atenciosa explicando todos os detalhes
O mais legal é que em cima da geleira se formam pequenos lagos. Tomamos água de um desses lagos e depois de uma hora, quando passamos pelo mesmo local para retornar, o lago já não existia mais pelo movimento do gelo. Muito doido.

O nosso filho de 10 anos, também conseguiu terminar o treking numa boa. Adorou as garras nos sapatos, tomar água das geleiras e as fendas. Dava para ver que os guias tinham uma preocupação especial com ele, estavam sempre ao lado cuidando para que ele não fosse mais longe do que o permitido.


Dá para tomar água pura direto do glaciar


Guia fazendo a inspeção de um lago
Quando descemos do glaciar, uísque e água com gelo do próprio glaciar foram servidos para todo o grupo. E para recuperar as energias, um delicioso alfajor para quem quisesse. 

Retornamos caminhando até a base, onde existe um pequeno restaurante e onde almoçamos. Depois, o barco nos levou de volta ao continente e fomos visitar a outra face do Perito Moreno, pelas passarelas. Para comparar, é semelhante às passarelas das Cataratas de Foz do Iguaçu.

Várias passarelas e mirantes levam ao glaciar, que pode ser visto de frente. As passarelas são muito bem cuidadas, totalmente adaptadas para cadeirantes ou carrinhos de bebê.


Glaciar Perito Moreno visto das passarelas

Começou a chover e esfriou muito. Mesmo bem agasalhados e com capas de chuva, passamos muito frio. Aliás, acho que nunca senti tanto frio na vida, mas mesmo assim, ficamos firmes e fortes na passarela.

Nesse momento fiquei com pena dos turistas que contrataram o transfer da agência para fazer o minitrekking. Além do minitrekking, havia uma parada incluida nas passarelas, mas o guia acabou dando apenas 30 minutos para os turistas... mal conseguiram tirar fotos. Por sorte estávamos de carro e pudemos aproveitar o lugar no nosso ritmo. Mesmo com frio e chuva, ver o Perito Moreno das passarelas foi emocionante.

Imensidão de gelo sem fim
Depois voltamos para o hotel, tomamos um banho quente e fomos fazer algumas compras no supermercado para nossa viagem até Torres del Paine, que seria no dia seguinte.

Jantamos no Restaurante Los Amigos, que foi a decepção da viagem. Queríamos comer frutos do mar e no TripAdvisor o restaurante estava bem classificado. A comida, além de não ter sabor e tempero, estava fria. Apesar de sermos atendidos pelo simpático dono, não indico este restaurante. Saímos de lá lamentando pelo dinheiro gasto.

Já leu os outros posts sobre a Patagônia? Acesse aqui:

Ushuaia - Dia 1 - Argentina
Ushuaia - Dia 2 - Argentina
Ushuaia - Dia 3 - Argentina
Ushuaia - Dia 4 - Argentina
De Ushuaia para El Calafate - Dia 5 - Argentina
El Calafate - Dia 6 - Argentina


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Navegação com icebergs durante passeio Rio de Hielo - El Calafate - Dia 6 - Argentina

Dia 6 - 4 de Setembro

A van da agência Hielos e Aventura nos buscou no Apart Hotel às 7:30h. O sol ainda nem tinha nascido. Fomos levados até Punta Bandera, que fica a quase 50km de El Calafate. Durante o caminho de aproximadamente 1 hora, ficamos contemplando o nascer do sol. 

Punta Bandera é um pequeno porto no Lago Argentino, onde embarcamos num catamarã para fazer o passeio Navegação Rios de Hielo, que acontece dentro do Parque Nacional Los Glaciares. O passeio passa por icebergs e glaciares, uma experiência super diferente.


Porto de Punta Banderas

O barco é bem confortável e acho que por ser inverno (início de Setembro), não estava tão cheio. Como as águas do Lago Argentino são calmas, o barco não balança muito. Dentro do barco tem calefação e uma cafeteria, o que é excelente contando que o passeio dura praticamente o dia todo, contando com o traslado. A dica é levar uma mochila cheia de lanches, se não quiser depender da lanchonete do barco. Inclusive, algumas panificadoras e mercados preparam lanches exclusivos, como sanduiches para levar nesses passeios. Super prático!!


O dia estava lindo, o céu azul e a água do Lago Argentino estava com aquela coloração azul turquesa, típica do degelo das montanhas. Embora dentro do barco estivesse bem confortável, queríamos ver os icebergs sem um vidro na nossa frente e por isso, ficamos a maior parte do tempo fora do barco.


Apesar do frio, o passeio de fora do barco foi muito divertido

Sentimos o poder do vento patagônico na pele. O vento era tão intenso que espremia lágrimas dos nossos olhos pela sua intensidade. Mas querem saber? Diante de tanta beleza, o vento e frio era o que menos importava naquele momento. 


De qualquer forma, vale se agasalhar bem e levar uma boa touca para proteger cabeça e ouvidos do frio e vento.

A paisagem é linda. A primira parada é o GlaciarUpsala. Quanto mais o barco se aproximava do Glaciar, mais icebergs conseguiamos ver no lago. Eles começam bem pequenos, provocando euforia nos turistas do barco que nem imaginam que irão ver enormes desprendimentos de gelo, das mais surpreendentes formas e tonalidades.


Iceberg no Lago Argentino, com arco-íris ao fundo
Desprendimento de gelo enorme do Glaciar Upsala

Quando o barco se aproxima de um iceberg, os turistas corriam para tentar pegar o melhor ângulo, em busca da melhor foto... Muita calma nessa hora. Não precisa se desesperar toda vez que enxergar um iceberg. O barco chega bem perto deles e vai girando, de forma que todas as pessoas possam enxergar e fotografar.

O Glaciar Upsala vimos apenas de mais longe. O barco não pode se aproximar tanto, pois o mar agitado pelas hélices forma ondas que podem desprender enormes blocos de gelo do glaciar, o que pode ser bem perigoso.  

Glaciar Upsala


Depois do Glaciar Upsala, o barco vai até o Glaciar Spegazzini, que é o mais alto do Parque Nacional Los Glaciares, com 135 metros de altura. Ele é surpreendente e vai ficando cada vez maior à medida que o barco se aproxima. E quanto mais chegamos perto dele, mais começa a ventar e esfriar. A imensidão e altura desse glaciar é inacreditável. Simplesmente fascinante! Não existem fotos para descrever a imensidão do Glaciar. Tudo parece minúsculo perto dele. 


Glaciar Spegazzini

Como falei antes, é um passeio demorado e relativamente caro, mas vale cada centavo. Nos sentimos como crianças, sorrisos estampados no rosto diante da magnitude e beleza desse passeio.

Na volta, a van nos deixou no centro de El Calafate, e locamos um carro pela Álamo. Queríamos ter um pouco mais de flexibilidade nos próximos dias. A nossa intenção também era atravessar a fronteira da Argentina com o Chile para visitar Torres del Paine, e para isso era necessário uma documentação especial para o veículo, que demorou um pouco para ficar pronta.

Enquanto isso, passeamos pelo centro de El Caafate, que tem lojas com vitrines em madeira, bem rusticas. Entramos em algumas lojinhas, tomamos sorvete na Ovejitas de la Patagônia, que vende chocolates artesanais e ainda funciona como cafeteria e sorveteria. Gostamos tanto que durante nossa visita a El Calafate, voltamos umas 3 ou 4 vezes para tomar sorvete lá.


Lojinhas de souvernirs
Vitrines rústicas do centro de El Calafate

Depois já com o carro, demos uma longa volta pela cidade toda. Percorremos os bairros, a orla do Lago Argentino e paramos em um playground para distração do Gabriel.


Pôr do sol no Lago Argentino


Playground todo em madeira para diversão da criançada

Jantamos no Restaurante Le Letchuza Pizzas, localizado bem no centro. Pedimos uma pizza que estava bem gostosa. O restaurante também funciona como uma casa de câmbio, reconhecida por ter a melhor cotação em El Calafate.

E assim terminou nosso dia. Fomos dormir relembrando o nosso dia e ansiosos por conhecer o Glaciar Perito Moreno, no dia seguinte.

Já leu os outros posts sobre a Patagônia? Acesse aqui:

Ushuaia - Dia 1 - Argentina
Ushuaia - Dia 2 - Argentina
Ushuaia - Dia 3 - Argentina
Ushuaia - Dia 4 - Argentina
De Ushuaia para El Calafate - Dia 5 - Argentina

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Esqui no Glaciar Martial - De Ushuaia para El Calafate - Dia 5 - Argentina

Dia 5 - 3 de Setembro

Nosso vôo para El Calafate saía às 16:05 e ainda queríamos aproveitar muito bem a última manhã em Ushuaia. 

Acordamos bem cedo, pegamos nosso carro e dirigimos até o Glaciar Martial. Quase não subimos a montanha com o carro, pois a estrada estava puro gelo. Mas com bastante cuidado e com os nervos à flor da pele, chegamos lá antes mesmo de abrirem. 

Ponto negativo para nós, que não olhamos o horário de abertura. Para resumir, ficamos quase 1 hora esperando dentro do carro, pois o Glaciar Martial ainda estava fechado. 

Queríamos subir até o topo para apreciar a vista, mas havia nevado bastante durante a noite e o teleférico não estava funcionando. 

Como somos corajosos, resolvemos subir a pé mesmo. Com muito esforço, conseguimos chegar apenas até a metade pois a subidona é bem íngreme e afundávamos na neve até quase o quadril. 

Apesar de cansativo, todo o lance com a neve foi bem divertido. Apreciamos a vista que se tem da cidade de Ushuaia dali mesmo e resolvemos descer, pois ainda queríamos tentar esquiar.

Na base do Glaciar Martial, há uma pista de esqui para iniciantes e locamos equipamentos de ski e snowboard para praticar um pouco, ou pelo menos tentar. 

Filho com snowboard, eu e marido com ski. Eles logo pegaram o jeito. Já eu...um capítulo a parte.  

Eu achei o tal do ski muito, mas muito difícil. Caía igual um saco de batatas... não conseguia parar quando pegava embalo... quando enfim conseguia chegar no final da pista, não tinha força suficiente para pegar o lift de volta ao topo... Minha Nossa Senhora Aparecida!! Na metade do tempo, já toda ralada, resolvi parar com a brincadeira antes de me machucar pra valer.

Numa próxima vez, só se for com algumas aulas particulares antes. Fiquei assistindo os meninos ficarem cada vez mais craques, mas como o teleférico não estava funcionando, eles tiveram que ficar na pista de iniciantes mesmo.  

A subida ao Glaciar Martial

Gabriel já muito à vontade no Snowboard

Depois da visita ao Glaciar Martial, buscamos nossas malas no apartamento, devolvemos o carro no aeroporto e às 16:05, embarcamos no avião rumo à El Calafate.

El Calafate é uma pequena cidade, muito simpática e muito limpa. É bem mais plana do que Ushuaia, mas também é mais espalhada. É recomendável ficar mais próximo do centro, que fica na Rua Libertador San Martin, para evitar caminhadas muito longas.

Em El Calafate ficamos em um Apart Hotel chamado Altos de La Costanera e adoramos. O apartamento tinha cozinha equipada, sala de estar, varanda com churrasqueira de frente para o Lago Argentino, serviços de arrumação de quarto, troca de toalhas e lavagem de louça todos os dias. Ainda de brinde, um lindo pet labrador, companheiro de jantar.

Vista da sacada do nosso apart hotel e a espera do nosso mais novo amigo pelo jantar

Não ficava muito longe do centro, dava para ir a pé tranquilamente. Achamos que pela localização, tinha um excelente custo-benefício. Fica próximo de um supermercado e de uma panificadora. 

Chegamos em El Calafate por volta das 18h e pegamos um transfer do aeroporto para a cidade. Depois do check-in feito, fomos até o centro para comprar os passeios para os dois dias seguintes, demos uma reconhecida pelo centro e por fim, passamos no mercado para abastecer nossa despensa e mochilas com guloseimas para o próximo dia.