Mostrando postagens com marcador Jasper. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jasper. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de agosto de 2018

De Jasper até Lake Louise - Canadá - Dia 8

Os próximos dias dentro do Jasper National Park e do Banff National Park eram para nós, os pontos altos da viagem. Tínhamos uma expectativa muito grande em relação a essa parte da viagem e começamos o 8º dia no Canadá super animados.

Pegamos a Icefileds Pkwy, em direção a Lake Louise, onde pretendíamos pernoitar. A Icefields Pkwy é a estrada que liga o Jasper National Park ao Banff National Park. É uma rodovia cênica que passa por montanhas, lagos e florestas e a paisagem é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A. 

Não estou exagerando, é realmente tudo muito bonito, basta conferir nas fotos desse post. Para entrar nos Parques Nacionais, é cobrada uma taxa por veículo, porém, em 2017, o Canadá estava comemorando 150 anos e a entrada nos parques era gratuita.

O que nos deixou especialmente impressionados na Icefields Pkwy além das belas paisagens, é que praticamente todos os 230km da rodovia são cercados com grades nos dois sentidos. Isso para evitar que os animais cruzem a estrada e sejam mortos pelos veículos. Também foram construídas passarelas sobre o asfalto, para permitir que os animais atravessem de um lado para outro com segurança. Nota 10 para o Canadá!! Os bichinhos com certeza agradecem.

Aliás, animais não faltam por lá. A todo momento conseguimos ver esquilos, veados, aves, cabritos e outros animais... apenas os ursos ainda não havíamos visto dentro do parque nacional.

Mesmo no verão, venta muito e faz bastante frio, já que é uma região que tem um dos maiores e mais importantes campos de gelo do mundo.

Neste link, tem todas as informações sobre o Jasper National Park: https://www.pc.gc.ca/en/pn-np/ab/jasper



Paisagens com montanhas nevadas da Icefield Pkwy


Nossa primeira parada foi no Athabasca Falls. A cachoeira não é tão alta, mas é a que tem o maior volume de água das rochosas canadenses. Ao longo de milhares de anos, a água esculpiu um cânion nas rochas, sobre o qual hoje foram construidas passarelas e trilhas para os visitantes. O acesso a partir do estacionamento é super simples e perto também, o que facilita a visita para crianças e idosos.


Cânion formado pelas Athabasca Falls





Depois, seguimos para o Glacier Skywalk, que é uma passarela suspensa com chão de vidro, que fica na encosta de uma montanha. Era um dos passeios que queríamos muito fazer, mas quando nosso GPS nos avisou que havíamos chegado no local, de imediato não entendemos bem. Achamos que estávamos no lugar errado, porque a tal passarela era muito pequena e muito diferente do que havíamos imaginado. Demoramos um tempo para entender que de fato, estávamos no local certo. É uma passarela relativamente pequena, que estava abarrotada de turistas. 

Achamos a tal Glacier Skywalk aquele típico passeio pega turista... super caro para aquilo que se propõem. Dos pontos de parada na estrada, conseguimos ver praticamente a mesma paisagem que se tem da Glacier Skywalk, por isso achamos meio sem sentido e resolvemos não fazer este passeio. Mas quero lembrar aqui, que essa é uma impressão e opinião muito pessoal nossa. 

Se tem uma coisa na qual não economizamos numa viagem, é com os passeios. Economizar nas refeições e com hoteis, topamos sim... mas desembolso com passeio não é despesa e sim investimento. Mas no caso do Glacier Skywalk nossas opiniões foram unânimes e concordamos que talvez o investimento não valesse a pena. Talvez alguém que já tenha feito esse passeio pode contar a sua experiência nos comentários!!   

Continuamos dirigindo um pouco mais e paramos no Columbia Icefield Glacier Centre, que fica em frente da principal geleira da America do Norte, o Athabasca Glacier. O Columbia Icefield é um campo de gelo que tem várias outras geleiras, mas a maior e mais acessível é o Athabasca Glacier. 

O centro de visitantes tem um estacionamento enorme e preparado para receber motorhomes. É lá que se compra os ingressos para o Glacier Skywalk e para o Glacier Adventure, que é um passeio no qual ônibus enormes, adaptados para rodar sobre o gelo, levam os turistas para um passeio na geleira. 

Não é possível subir na geleira por conta própria, por ser muito perigoso. A geleira se move alguns centímetros todos os dias, criando crateras profundas no glaciar. Um passo em falso e você ficará dentro de uma cratera dessas para sempre. O passeio no glaciar é sempre acompanhado por guias super experientes, que sabem exatamente onde dá para pisar.

Nós almoçarmos no centro de visitantes, que tem alguns restaurantes e depois fomos com o motorhome até o Columbia Icefield Trailhead. Lá tem um pequeno estacionamento, onde conseguimos parar com o motorhome. De lá, seguimos a pé até chegar na base do Athabasca Glacier. 

É uma caminhada bastante cansativa, com muitos morros e pedras soltas para subir e descer, sem contar o frio cada vez mais congelante à medida que nos aproximamos da geleira. Entre ida e volta desde o estacionamento, é uma caminhada de aproximadamente 1,5km. 

Embora cansativo, é uma aventura bem legal e o esforço todo compensa quando chegamos bem perto da geleira. É importante se manter dentro da trilha e não passar os pontos isolados com cordas. Vimos alguns pais exaustos por lá, carregando crianças pequenas no cangote. Não chega a ser impossível, mas com certeza o lugar não é o ideal para crianças e idosos. Para esse público, o passeio Glacier Adventure é mais recomendado, uma vez que é uma caminhada mais leve.


Trilha que leva até a base do Athabasca Glacier

Ganho de elevação da trilha que leva até a base do Ahabasca Glacier. O estacionamento do motorhome está ao fundo.

Perdas soltas e morros na trilha

Athabasca Glacier e fim da linha. Se quiser subir na geleira, será necessário acompanhamento de guias especializados.

Ainda era meio da tarde quando voltamos dessa caminhada quase congelados. Nos aquecemos um pouco dentro do motorhome e seguimos para o Mistaya Canyon, que é formado pelo rio Mistaya. O acesso é bem fácil e tem apenas 500 metros. O Canyon é bastante profundo e muitos turistas se arriscam para tirar fotos em cima das pedras molhadas... um risco que com certeza não vale a pena correr. 


Mistaya Canyon

Rio Mistaya que esculpe o cânion há milhares de anos

Aliás, muitos acidentes ocorrem todos os anos dentro de parques nacionais, justamente porque os turistas não obedecem as regras de segurança indicadas e acabam subindo em lugares perigosos ou entrando onde não devem. Tudo isso para tirar fotos de um ângulo melhor ou até por curiosidade... será que vale mesmo a pena arriscar a vida por tão pouco? Não consigo entender essas pessoas que dão chance para o azar.

Visitamos ainda o Waterfowl Lakes, que acessamos por uma trilha de floresta mais fechada. Percebemos que é um local pouco visitado pelos turistas e por um momento, chegamos a ficar com receio de encontrar animais por lá, como ursos. Nos sentimos um pouco perdidos, sem saber direito o que estávamos procurando. Chegamos a uma ponte de madeira que passava por cima de um rio bem turbulento e que rendeu boas fotos. No fim, acabamos voltando para o motorhome sem saber se havíamos pego uma trilha errada, ou se o local se resumia apenas aquela ponte mesmo.


Waterfowl Lakes - será que é apenas isso mesmo?

A última visita do dia foi no lindo Lago Peyto, que é um dos lagos mais visitados do Banff National Park. Ali já foi mais difícil conseguir um lugar para estacionar o motorhome, mas com um pouco de paciência, acabou dando certo. 

Do estacionamento para o mirante do lago, é uma subida caminhando aproximadamente 15 minutos. Ainda havia muita neve na trilha, mesmo no início de junho. Quando se chega ao mirante, é uma sucessão de UAU, WOW e OHHH saindo das bocas de todos os visitantes. O azul turquesa do lago é tão lindo e diferente que deixa todos maravilhados. Como se não bastasse, o lago ainda é rodeado de montanhas com picos cobertos de neve, um colírio para os olhos.

O azul turquesa do lago é oriundo da água do degelo, que quando desce das montanhas traz sedimentos junto, que acabam se depositando no fundo do lago, dando a ele, a característica cor azul turquesa. Passamos um bom tempo por lá, admirando a beleza do lugar.


Lago Peyto com sua linda coloração azul turquesa

Degelo da neve carregando sedimentos das montanhas para dentro do lago

Já era fim do dia quando chegamos no pequeno vilarejo de Lake Louise. Resolvemos fazer check-in no Lake Louise Tent Campground. Não havíamos feito reserva, já que era baixa temporada, mas quando chegamos na recepção, havia uma fila enorme de motorhomes. Depois de uns 20 minutos, fomos atendidos e recebemos a notícia de que o camping estava cheio, devido a uma tempestade que havia ocorrido perto de Banff e que tinha fechado todas as estradas naquele sentido. 

Nos ofereceram um Overflow Site, ou seja, são vagas improvisadas dentro do campground, usadas apenas quando o local fica muito cheio. Essas águas não possuem ligação de água, nem dump, nem energia elétrica, nem firepit para assar um churrasco. Basicamente é uma rua onde estacionam motorhomes, um atrás do outro. Mas tivemos que ficar por lá mesmo, já que não havia outra opção. No Banff National Park não é permitido pernoitar fora de campgrounds. 

Você tem vontade de viajar de motorhome? Então veja as postagens abaixo, que já temos no blog:


  1. Nosso sonho: viajar com motorhome
  2. Planejando uma viagem de motorhome
  3. Formas de pesquisar locais de pernoite com um motorhome
  4. Detalhes importantes antes de pegar a estrada com um motorhome
  5. O que levar em uma viagem de motorhome
  6. O que comer no motorhome

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

De Whistler para Jasper - Canadá - Dia 7

O Canadá é um país imenso e quando falamos em uma road trip por lá, precisamos considerar que alguns trechos tem centenas ou até milhares de quilômetros de distância. Esse foi o caso do 7º dia de viagem. 

Queríamos chegar até Jasper nesse dia, por isso, rodamos mais de 750km, com algumas paradas estratégicas para ver alguma paisagem especial no meio do caminho e uma breve parada para almoço.

Saímos cedo do local onde pernoitamos e pegamos a estrada sentido Pemberton. 

A estrada sinuosa passa por montanhas e lagos e a paisagem toda é muito bonita, com áreas verdes e muitas árvores em ambos os lados. Mesmo com a estrada mais estreita, foi bem tranquilo dirigir por lá com um motorhome. Apenas vale lembrar para abastecer perto de Whistler antes de pegar essa estrada, pois é uma região mais remota, apenas com algumas fazendas no meio do caminho. 

Lagos e montanhas para todos os gostos

O trecho montanhoso vai até o Duffey Lake, que tem uma vista maravilhosa. A melhor foto da viagem toda, foi tirada nesse lindo lago. Pena que não tinhamos muito tempo para ficar por lá, já que a região do lago oferece trilhas, canoagem, pesca e muitas outras atividades ao ar live.

Fabuloso Duffey Lake

A paisagem verde muda drasticamente a partir de Lillooet, transformando as montanhas verdes, em montanhas áridas e secas. A região muito pouco habitada, foi e ainda é lar dos povos indígenas e o Rio Fraser, que corta toda a região, foi em tempos antigos, local de extração de ouro. Por alguns momentos, nos sentimos dentro daqueles filmes antigos do velho oeste.

Depois de algum tempo, a estrada vai se tornando mais comum e eu diria, até um pouco entediante. Cidades maiores, cidades pequenas, fazendas...

Chegamos em Tête Jaune Cache por volta das 18h, por onde acessamos a Trans-Canada Hwy, estrada que corta o Canadá de leste a oeste. Por aqui, novamente a paisagem mudou, revelando montanhas com topos nevados, cortadas por lindos lagos de águas azuis. Sabíamos que estávamos na área das tão famosas e sonhadas montanhas rochosas canadenses. Um colírio para os olhos.

Paramos no Mt. Robson Visitors Center, para apreciar o imponente Mount Robinson, que tem o pico mais elevado das montanhas rochosas canadenses, com 3.954 metros de altura. Que vista fantástica.

Mt. Robinson Visitor Center

O imponente Mt. Robinson, com 3.954 metros de altura

Como nessa época do ano, o sol se põem apenas por volta das 22h, ainda havia muita luz do dia para aproveitar. Seguimos até Moose Lake, para uma breve contemplação do espelho de água verde do lago. As montanhas estavam todas iluminadas pelo sol do fim do dia, dando às montanhas, uma coloração alaranjada fabulosa. 

O pôr do sol refletindo no Moose Lake

Montanhas espelhadas na água do Moose Lake 

Lua no Jasper National Park

Trans-Canadá Hwy, uma das mais importantes e belas estradas do Canadá

Chegamos em Jasper e estacionamos nosso motorhome na Connaught Dr., na altura do supermercado Robinson Food. Compramos um lanche e ainda aproveitamos a última claridade do dia para passear pela pequena cidade, que me lembrou um pouco Ushuaia (Argentina) no inverno. Estava fazendo bastante frio, embora nessa época do ano já não houvesse mais neve. Aquele cobertor de plumas de ganso que compramos na IKEA em Vancouver, como mencionei neste post, acabou salvando a nossa pele.

A cidade de Jasper é bem bonitinha, bem cuidada, construções bem típicas, restaurantes, alguns pub´s, mas é isso. Apesar de bonitinha, os atrativos turísticos se concentram mais ao redor de Jasper, do que na cidade propriamente dito. 

A estação ferroviária que fica praticamente no centro da cidade, interliga Vancouver e Toronto. Aliás dizem que o trem passa por paisagens fabulosas e tem inclusive vagões dormitório e vagões panorâmicos. Deve ser uma delícia. Até pesquisamos a viagem de trem antes de optar em alugar o motorhome, mas o valor era bem elevado e ainda teríamos que locar um carro para o deslocamento pela região das rochosas. Para nós, que estávamos em 4 pessoas, financeiramente acabou não valendo a pena. Quem sabe, numa próxima vez...

Dica sobre Jasper e a Aurora Boreal: sabia que pertinho de Jasper, masi precisamente nos Lake Patricia e Pyramid pode-se ver a Aurora Boreal? São lugares que a apenas 10 minutos de carro de Jasper e que por vez ou outra, presenteiam os turistas com o espetáculo da Aurora Boreal. É claro que não é tão simples. Ás vezes são horas de espera no frio e escuridão, mas quem já viu, garante que a espera compensa. 

As condições precisam estar favoráveis e o céu aberto. Uma excelente dica, é acompanhar pelo site http://www.aurorawatch.ca, que informa via email, quando as condições estão propícias através de um alerta vermelho (red alert). 

Infelizmente quando estivemos lá, não tinha red alert para Aurora Boreal, mas não custa se cadastrar... vai que dá certo?

Tivemos uma pernoite calma, algumas vezes interrompida pelo trem que passava à noite, mas sem grandes transtornos.