terça-feira, 14 de agosto de 2018

De Lake Louise a Banff - Canadá - Dia 9


Textão hoje.... se prepara aí!! 

Nosso dia começou com o tempo meio fechado e garoa. Não era bem esse o clima que esperávamos para visitar os tão famosos Lake Louise e Lake Moraine, considerados os lagos mais bonitos do Canadá.

Mas como não controlamos a vontade de São Pedro, nos munimos de capas e guarda-chuva e seguimos em direção ao Lake Louise. 
Em frente ao Lake Louise, fica o Fairmount Chateau Lake Louise, um luxuosíssimo hotel. Deve ser fabuloso poder ficar lá durante alguns dias e fazer desse hotel, base para explorar todas as atrações do Parque Nacional. Tanto o Lake Louise como o hotel Fairmount Chateau tem acesso gratuito. 

No inverno, o lago congela completamente e se transforma em uma imensa pista de patinação no gelo. 

Depois de alguns meses congelado, lá por final de maio, o gelo começa a derreter e depois de duas semanas, as águas claras do lago aparecem novamente. Logo após o degelo, a água do lago ainda não tem aquela coloração vede esmeralda que vemos nas fotos. A cor demora um pouco para aparecer, devido aos sedimentos que são depositados no fundo do lago conforme o degelo das montanhas avança.



Se você quiser ver o lago completamente descongelado, programe sua visita a partir da 2ª quinzena de junho. Para ter uma visão em tempo real do Lake Louise, acesse a webcam pelo seguinte link: http://cams.skilouise.com/cam9.jpg

Lake Louise

É muito interessante acompanhar a mudança que acontece no lago pela webcam, durante a época do degelo. Aliás, existem até apostas oficiais que ocorrem nessa época do ano, onde os participantes procuram acertar a data na qual o lago estará completamente descongelado. É algo levado muito a sério por lá.

A nossa ideia era fazer um passeio de caiaque pelo Lake Louise, mas o tempo estava bem fechado e fazia bastante frio. Os caiaques permaneceram fechados durante esse dia, mas mesmo assim, o  Lakeshore, como é chamada a orla do lago, rende ótimos momentos e ótimas fotos.

Lakeshore do Lake Louise

As canoas vermelhas que não pudemos ver na água

Lake Louise em um dia de frio e garoa


Lake Moraine

Outro lago muito lindo, frequentemente retratado em cartões postais e também na nota de 20 dólares canadenses é o Lake Moraine, que fica pertinho do Lake Louise. O estacionamento por ser pequeno, enche rapidamente e é um pouco mais complicado estacionar por lá, especialmente com motorhomes. Tivemos que esperar um pouco por uma vaga, mas no fim, acabou dando tudo certo e pudemos ver o lago, com sua linda cor azul turquesa.

Estacionamento pequeno para um lugar tão grandioso

O Lake Moraine fica no Vale dos 10 picos e a estrada que leva até ele é aberta apenas de Junho até Setembro, por causa da neve. Na minha opinião, este lago é mais bonito do que o Lake Louise, apesar desse último ser mais famoso. Logo na chegada, dá para ver uma pilha enorme de pedras, que parecem ter sido amontoadas propositalmente por lá. Na verdade, não se sabe exatamente como as pedras foram parar lá, fato é que subindo-se até o topo dessa pilha de rochas, através de uma pequena trilha e escadas esculpidas, consegue-se ter uma visão panorâmica do lugar. É tão lindo, mas tão lindo, que os olhos chegam a doer. 😂

Lake Moraine e o vale dos 10 picos

Foto famosa até na nota de 20 dolares

A subida é bem tranquila, recomendada para crianças e até idosos. Apenas se prepare para o frio que faz por lá. 

Pilha de rochas no Lake Moraine - como foram parar lá?

Queríamos ter seguido pela Bow Valley Pwy, que é uma estrada secundária dentro do Banff National Park e que leva para Morant´s Curve e para o Johnston Canyon. Infelizmente devido a tempestade da noite anterior e queda de várias árvores, a estrada estava fechada sem previsão para reabrir. Imprevistos que acontecem. Infelizmente... 

Dirigimos diretamente para Banff e fizemos check-in no Tunnel Mountain Village I, para garantir nossa vaga para pernoite. 

Vista do Tunnel Vista Village I - local onde pernoitamos

Vaga garantida, fomos até o Two Jack Lake, um lago menos visitado e que tem as Montanhas Rochosas como pano de fundo. Ele não tem as águas glaciais azuis brilhantes como os outros lagos, mas suas águas calmas são excelentes para nadar... claro, se o frio deixar.

Two Jake Lake

Lugar para fazer piquenique no Two Jake Lake

A melhor forma de chegar no lago, é pela Minnewanka Scenic Drive, que faz uma rota circular iniciando e terminando em Banff. Existem trilhas para caminhada ao redor do lago, mesas de piquenique e muita vida selvagem. Foi nessa área que vimos a maior quantidade de animais. Ficam pertinho das pessoas e dos carros, muitas vezes atravessando preguiçosamente a estrada. 

Carneiro das montanhas

Esquilos ou marmotas?

No fim da tarde voltamos para Banff e fizemos um passeio pela pequena cidade. Ficamos encantados com o lugar. Totalmente voltado para o turismo, a cidade tem restaurantes, hoteis e lojas para todos os bolsos. É um daqueles lugares inseridos na natureza, com construções super fofas, flores por todos os lados e ainda, emoldurado pelas montanhas. Eu morava facinho num lugar desses.

Igreja no centro de Banff

Não dá vontade de morar num lugar desses?

Voltarei qualquer dia desses...

Comi um Beaver Tails no centrinho de Banff, uma massa frita fina e crocante, com deliciosos recheios de nutella, banana, oreo, chocolate, açucar, canela, e muitos outros. Não deixe de experimentar, porque é muiittooo bom. 

Beaver Tails de Nutella com banana

Também passamos pela Surprise Corner, um mirante que fica na curva de uma estrada, bem perto da cidade. A vista do mirante também é bem famosa, pelo luxuoso Fairmont Banff Springs hotel que fica ao fundo. 

Surprise Corner

Já era fim de tarde e em Banff, estávamos começando a receber notícias de que parte do Banff National Park havia fechado, ainda em decorrência da tempestade do dia anterior. Resolvemos ir até o centro de visitantes, onde recebemos a confirmação de que a estrada que nos levaria devolta a Kelowna, passando por lindas paisagens, estava fechada, devido ao deslizamento de uma ponte. Nessa hora bateu um desespero. A estrada iria reabrir apenas dentro de 3 dias, exatamente quando já estaríamos dentro do vôo, voltando ao Brasil. A nossa única opção era fazer um desvio de mais de 400km.😕

Sem ter outra saída, terminamos nosso dia na Banff Ave Brewing Co, degustando cervejas artesanais e planejando o desvio que teríamos que fazer no dia seguinte.  

Você tem vontade de viajar de motorhome? Então veja as postagens abaixo, que já temos no blog:



  1. Nosso sonho: viajar com motorhome
  2. Planejando uma viagem de motorhome
  3. Formas de pesquisar locais de pernoite com um motorhome
  4. Detalhes importantes antes de pegar a estrada com um motorhome
  5. O que levar em uma viagem de motorhome
  6. O que comer no motorhome



domingo, 12 de agosto de 2018

De Jasper até Lake Louise - Canadá - Dia 8

Os próximos dias dentro do Jasper National Park e do Banff National Park eram para nós, os pontos altos da viagem. Tínhamos uma expectativa muito grande em relação a essa parte da viagem e começamos o 8º dia no Canadá super animados.

Pegamos a Icefileds Pkwy, em direção a Lake Louise, onde pretendíamos pernoitar. A Icefields Pkwy é a estrada que liga o Jasper National Park ao Banff National Park. É uma rodovia cênica que passa por montanhas, lagos e florestas e a paisagem é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A. 

Não estou exagerando, é realmente tudo muito bonito, basta conferir nas fotos desse post. Para entrar nos Parques Nacionais, é cobrada uma taxa por veículo, porém, em 2017, o Canadá estava comemorando 150 anos e a entrada nos parques era gratuita.

O que nos deixou especialmente impressionados na Icefields Pkwy além das belas paisagens, é que praticamente todos os 230km da rodovia são cercados com grades nos dois sentidos. Isso para evitar que os animais cruzem a estrada e sejam mortos pelos veículos. Também foram construídas passarelas sobre o asfalto, para permitir que os animais atravessem de um lado para outro com segurança. Nota 10 para o Canadá!! Os bichinhos com certeza agradecem.

Aliás, animais não faltam por lá. A todo momento conseguimos ver esquilos, veados, aves, cabritos e outros animais... apenas os ursos ainda não havíamos visto dentro do parque nacional.

Mesmo no verão, venta muito e faz bastante frio, já que é uma região que tem um dos maiores e mais importantes campos de gelo do mundo.

Neste link, tem todas as informações sobre o Jasper National Park: https://www.pc.gc.ca/en/pn-np/ab/jasper



Paisagens com montanhas nevadas da Icefield Pkwy


Nossa primeira parada foi no Athabasca Falls. A cachoeira não é tão alta, mas é a que tem o maior volume de água das rochosas canadenses. Ao longo de milhares de anos, a água esculpiu um cânion nas rochas, sobre o qual hoje foram construidas passarelas e trilhas para os visitantes. O acesso a partir do estacionamento é super simples e perto também, o que facilita a visita para crianças e idosos.


Cânion formado pelas Athabasca Falls





Depois, seguimos para o Glacier Skywalk, que é uma passarela suspensa com chão de vidro, que fica na encosta de uma montanha. Era um dos passeios que queríamos muito fazer, mas quando nosso GPS nos avisou que havíamos chegado no local, de imediato não entendemos bem. Achamos que estávamos no lugar errado, porque a tal passarela era muito pequena e muito diferente do que havíamos imaginado. Demoramos um tempo para entender que de fato, estávamos no local certo. É uma passarela relativamente pequena, que estava abarrotada de turistas. 

Achamos a tal Glacier Skywalk aquele típico passeio pega turista... super caro para aquilo que se propõem. Dos pontos de parada na estrada, conseguimos ver praticamente a mesma paisagem que se tem da Glacier Skywalk, por isso achamos meio sem sentido e resolvemos não fazer este passeio. Mas quero lembrar aqui, que essa é uma impressão e opinião muito pessoal nossa. 

Se tem uma coisa na qual não economizamos numa viagem, é com os passeios. Economizar nas refeições e com hoteis, topamos sim... mas desembolso com passeio não é despesa e sim investimento. Mas no caso do Glacier Skywalk nossas opiniões foram unânimes e concordamos que talvez o investimento não valesse a pena. Talvez alguém que já tenha feito esse passeio pode contar a sua experiência nos comentários!!   

Continuamos dirigindo um pouco mais e paramos no Columbia Icefield Glacier Centre, que fica em frente da principal geleira da America do Norte, o Athabasca Glacier. O Columbia Icefield é um campo de gelo que tem várias outras geleiras, mas a maior e mais acessível é o Athabasca Glacier. 

O centro de visitantes tem um estacionamento enorme e preparado para receber motorhomes. É lá que se compra os ingressos para o Glacier Skywalk e para o Glacier Adventure, que é um passeio no qual ônibus enormes, adaptados para rodar sobre o gelo, levam os turistas para um passeio na geleira. 

Não é possível subir na geleira por conta própria, por ser muito perigoso. A geleira se move alguns centímetros todos os dias, criando crateras profundas no glaciar. Um passo em falso e você ficará dentro de uma cratera dessas para sempre. O passeio no glaciar é sempre acompanhado por guias super experientes, que sabem exatamente onde dá para pisar.

Nós almoçarmos no centro de visitantes, que tem alguns restaurantes e depois fomos com o motorhome até o Columbia Icefield Trailhead. Lá tem um pequeno estacionamento, onde conseguimos parar com o motorhome. De lá, seguimos a pé até chegar na base do Athabasca Glacier. 

É uma caminhada bastante cansativa, com muitos morros e pedras soltas para subir e descer, sem contar o frio cada vez mais congelante à medida que nos aproximamos da geleira. Entre ida e volta desde o estacionamento, é uma caminhada de aproximadamente 1,5km. 

Embora cansativo, é uma aventura bem legal e o esforço todo compensa quando chegamos bem perto da geleira. É importante se manter dentro da trilha e não passar os pontos isolados com cordas. Vimos alguns pais exaustos por lá, carregando crianças pequenas no cangote. Não chega a ser impossível, mas com certeza o lugar não é o ideal para crianças e idosos. Para esse público, o passeio Glacier Adventure é mais recomendado, uma vez que é uma caminhada mais leve.


Trilha que leva até a base do Athabasca Glacier

Ganho de elevação da trilha que leva até a base do Ahabasca Glacier. O estacionamento do motorhome está ao fundo.

Perdas soltas e morros na trilha

Athabasca Glacier e fim da linha. Se quiser subir na geleira, será necessário acompanhamento de guias especializados.

Ainda era meio da tarde quando voltamos dessa caminhada quase congelados. Nos aquecemos um pouco dentro do motorhome e seguimos para o Mistaya Canyon, que é formado pelo rio Mistaya. O acesso é bem fácil e tem apenas 500 metros. O Canyon é bastante profundo e muitos turistas se arriscam para tirar fotos em cima das pedras molhadas... um risco que com certeza não vale a pena correr. 


Mistaya Canyon

Rio Mistaya que esculpe o cânion há milhares de anos

Aliás, muitos acidentes ocorrem todos os anos dentro de parques nacionais, justamente porque os turistas não obedecem as regras de segurança indicadas e acabam subindo em lugares perigosos ou entrando onde não devem. Tudo isso para tirar fotos de um ângulo melhor ou até por curiosidade... será que vale mesmo a pena arriscar a vida por tão pouco? Não consigo entender essas pessoas que dão chance para o azar.

Visitamos ainda o Waterfowl Lakes, que acessamos por uma trilha de floresta mais fechada. Percebemos que é um local pouco visitado pelos turistas e por um momento, chegamos a ficar com receio de encontrar animais por lá, como ursos. Nos sentimos um pouco perdidos, sem saber direito o que estávamos procurando. Chegamos a uma ponte de madeira que passava por cima de um rio bem turbulento e que rendeu boas fotos. No fim, acabamos voltando para o motorhome sem saber se havíamos pego uma trilha errada, ou se o local se resumia apenas aquela ponte mesmo.


Waterfowl Lakes - será que é apenas isso mesmo?

A última visita do dia foi no lindo Lago Peyto, que é um dos lagos mais visitados do Banff National Park. Ali já foi mais difícil conseguir um lugar para estacionar o motorhome, mas com um pouco de paciência, acabou dando certo. 

Do estacionamento para o mirante do lago, é uma subida caminhando aproximadamente 15 minutos. Ainda havia muita neve na trilha, mesmo no início de junho. Quando se chega ao mirante, é uma sucessão de UAU, WOW e OHHH saindo das bocas de todos os visitantes. O azul turquesa do lago é tão lindo e diferente que deixa todos maravilhados. Como se não bastasse, o lago ainda é rodeado de montanhas com picos cobertos de neve, um colírio para os olhos.

O azul turquesa do lago é oriundo da água do degelo, que quando desce das montanhas traz sedimentos junto, que acabam se depositando no fundo do lago, dando a ele, a característica cor azul turquesa. Passamos um bom tempo por lá, admirando a beleza do lugar.


Lago Peyto com sua linda coloração azul turquesa

Degelo da neve carregando sedimentos das montanhas para dentro do lago

Já era fim do dia quando chegamos no pequeno vilarejo de Lake Louise. Resolvemos fazer check-in no Lake Louise Tent Campground. Não havíamos feito reserva, já que era baixa temporada, mas quando chegamos na recepção, havia uma fila enorme de motorhomes. Depois de uns 20 minutos, fomos atendidos e recebemos a notícia de que o camping estava cheio, devido a uma tempestade que havia ocorrido perto de Banff e que tinha fechado todas as estradas naquele sentido. 

Nos ofereceram um Overflow Site, ou seja, são vagas improvisadas dentro do campground, usadas apenas quando o local fica muito cheio. Essas águas não possuem ligação de água, nem dump, nem energia elétrica, nem firepit para assar um churrasco. Basicamente é uma rua onde estacionam motorhomes, um atrás do outro. Mas tivemos que ficar por lá mesmo, já que não havia outra opção. No Banff National Park não é permitido pernoitar fora de campgrounds. 

Você tem vontade de viajar de motorhome? Então veja as postagens abaixo, que já temos no blog:


  1. Nosso sonho: viajar com motorhome
  2. Planejando uma viagem de motorhome
  3. Formas de pesquisar locais de pernoite com um motorhome
  4. Detalhes importantes antes de pegar a estrada com um motorhome
  5. O que levar em uma viagem de motorhome
  6. O que comer no motorhome

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

De Whistler para Jasper - Canadá - Dia 7

O Canadá é um país imenso e quando falamos em uma road trip por lá, precisamos considerar que alguns trechos tem centenas ou até milhares de quilômetros de distância. Esse foi o caso do 7º dia de viagem. 

Queríamos chegar até Jasper nesse dia, por isso, rodamos mais de 750km, com algumas paradas estratégicas para ver alguma paisagem especial no meio do caminho e uma breve parada para almoço.

Saímos cedo do local onde pernoitamos e pegamos a estrada sentido Pemberton. 

A estrada sinuosa passa por montanhas e lagos e a paisagem toda é muito bonita, com áreas verdes e muitas árvores em ambos os lados. Mesmo com a estrada mais estreita, foi bem tranquilo dirigir por lá com um motorhome. Apenas vale lembrar para abastecer perto de Whistler antes de pegar essa estrada, pois é uma região mais remota, apenas com algumas fazendas no meio do caminho. 

Lagos e montanhas para todos os gostos

O trecho montanhoso vai até o Duffey Lake, que tem uma vista maravilhosa. A melhor foto da viagem toda, foi tirada nesse lindo lago. Pena que não tinhamos muito tempo para ficar por lá, já que a região do lago oferece trilhas, canoagem, pesca e muitas outras atividades ao ar live.

Fabuloso Duffey Lake

A paisagem verde muda drasticamente a partir de Lillooet, transformando as montanhas verdes, em montanhas áridas e secas. A região muito pouco habitada, foi e ainda é lar dos povos indígenas e o Rio Fraser, que corta toda a região, foi em tempos antigos, local de extração de ouro. Por alguns momentos, nos sentimos dentro daqueles filmes antigos do velho oeste.

Depois de algum tempo, a estrada vai se tornando mais comum e eu diria, até um pouco entediante. Cidades maiores, cidades pequenas, fazendas...

Chegamos em Tête Jaune Cache por volta das 18h, por onde acessamos a Trans-Canada Hwy, estrada que corta o Canadá de leste a oeste. Por aqui, novamente a paisagem mudou, revelando montanhas com topos nevados, cortadas por lindos lagos de águas azuis. Sabíamos que estávamos na área das tão famosas e sonhadas montanhas rochosas canadenses. Um colírio para os olhos.

Paramos no Mt. Robson Visitors Center, para apreciar o imponente Mount Robinson, que tem o pico mais elevado das montanhas rochosas canadenses, com 3.954 metros de altura. Que vista fantástica.

Mt. Robinson Visitor Center

O imponente Mt. Robinson, com 3.954 metros de altura

Como nessa época do ano, o sol se põem apenas por volta das 22h, ainda havia muita luz do dia para aproveitar. Seguimos até Moose Lake, para uma breve contemplação do espelho de água verde do lago. As montanhas estavam todas iluminadas pelo sol do fim do dia, dando às montanhas, uma coloração alaranjada fabulosa. 

O pôr do sol refletindo no Moose Lake

Montanhas espelhadas na água do Moose Lake 

Lua no Jasper National Park

Trans-Canadá Hwy, uma das mais importantes e belas estradas do Canadá

Chegamos em Jasper e estacionamos nosso motorhome na Connaught Dr., na altura do supermercado Robinson Food. Compramos um lanche e ainda aproveitamos a última claridade do dia para passear pela pequena cidade, que me lembrou um pouco Ushuaia (Argentina) no inverno. Estava fazendo bastante frio, embora nessa época do ano já não houvesse mais neve. Aquele cobertor de plumas de ganso que compramos na IKEA em Vancouver, como mencionei neste post, acabou salvando a nossa pele.

A cidade de Jasper é bem bonitinha, bem cuidada, construções bem típicas, restaurantes, alguns pub´s, mas é isso. Apesar de bonitinha, os atrativos turísticos se concentram mais ao redor de Jasper, do que na cidade propriamente dito. 

A estação ferroviária que fica praticamente no centro da cidade, interliga Vancouver e Toronto. Aliás dizem que o trem passa por paisagens fabulosas e tem inclusive vagões dormitório e vagões panorâmicos. Deve ser uma delícia. Até pesquisamos a viagem de trem antes de optar em alugar o motorhome, mas o valor era bem elevado e ainda teríamos que locar um carro para o deslocamento pela região das rochosas. Para nós, que estávamos em 4 pessoas, financeiramente acabou não valendo a pena. Quem sabe, numa próxima vez...

Dica sobre Jasper e a Aurora Boreal: sabia que pertinho de Jasper, masi precisamente nos Lake Patricia e Pyramid pode-se ver a Aurora Boreal? São lugares que a apenas 10 minutos de carro de Jasper e que por vez ou outra, presenteiam os turistas com o espetáculo da Aurora Boreal. É claro que não é tão simples. Ás vezes são horas de espera no frio e escuridão, mas quem já viu, garante que a espera compensa. 

As condições precisam estar favoráveis e o céu aberto. Uma excelente dica, é acompanhar pelo site http://www.aurorawatch.ca, que informa via email, quando as condições estão propícias através de um alerta vermelho (red alert). 

Infelizmente quando estivemos lá, não tinha red alert para Aurora Boreal, mas não custa se cadastrar... vai que dá certo?

Tivemos uma pernoite calma, algumas vezes interrompida pelo trem que passava à noite, mas sem grandes transtornos.






Sea to Sky Hwy, Peak 2 Peak Gondola e Whistler - Canadá - Dia 6

Após mais uma noite tranquila de free camping, acordamos bem cedo, tomamos nosso café da manhã usual no motorhome e pegamos estrada em direção a Whistler. 

Decidimos ir pelo caminho que se chama Sea to Sky Hwy, uma das estradas mais bonitas do Canadá. A paisagem é de tirar o fôlego e passa por montanhas, florestas, lagos e oceano. Chama-se Sea to Sky pois a estrada começa em Vancouver, no nível do mar e termina no alto da montanha.


Lindas paisagens pela Sea to Sky Hwy

No meio do caminho, existe uma atração chamada Sea to Sky Gondola. A Gondola, com mais de 900 metros de altura, dá acesso a uma ponte suspensa no seu topo e a várias trilhas. Dizem que a vista lá de cima é fantástica, porém, estávamos com vontade de conhecer a Peak 2 Peak Gondola, que fica em Whistler e é a  gôndola mais alta do mundo. Dessa forma, acabamos seguindo viagem.

Ainda antes de Whistler, paramos na Brandywine Falls, uma linda cachoeira com 70 metros de altura. O acesso para ver a cachoeira é bem fácil. Estaciona-se o carro em um estacionamento ao lado da rodovia para seguir a pé por uma curta trilha que leva até um mirante. Tudo muito seguro e bem cuidado.




Brandywine Falls

Era nosso 6º dia no Canadá e estávamos impressionados com tudo no país: com a educação e simpatia dos habitantes, com a infraestrutura perfeita para viajar de motorhome (acreditem, tem banheiros limpíssimos e com água quente em lugares inimagináveis), com a limpeza nas cidades, e especialmente, com a preocupação e preservação do meio-ambiente. O Canadá com certeza já ganhou meu coração.

Chegamos em Whistler por volta do meio-dia. Whistler é uma encantadora cidadezinha, que atrai turistas do mundo todo em busca da prática de esportes de inverno. Foi sede das Olimpíadas de Inverno de 2010. Ao redor do centro turístico, ficam luxuosos restaurantes e hoteis, tudo muito chique. 




Cidade de Whistler e o símbolo das Olimpíadas de Inverno de 2010

O centro da pequena cidade é a base de onde sai a Peak 2 Peak, a mais alta Gondola do mundo, que tem chão de vidro. Quer mais emoção do que isso para alguém que tem medo de altura?

No centro de informações turísticas, fomos orientados a subir imediatamente na montanha com a gôndola. Isso porque estava um céu azul incrível, mas que poderia mudar a qualquer momento pela altitude. Engolimos um pedaço de pizza em qualquer lugar e seguimos para comprar nossos ingressos para a Peak 2 Peak.

Como funciona a gôndola?
Bem, na verdade são duas gôndolas, formando um dos mais complexos sistemas de transporte por cabos do mundo.
Primeiro, preciso esclarecer que o sistema de gôndolas funciona de forma diferente no inverno e no verão. No inverno, é usada para levar as pessoas que praticam atividades de neve ao alto da montanha e todo o complexo funciona sem interrupção.

No verão, como não há neve suficiente para esquiar, apenas parte da gôndola funciona, mas é a parte principal, então o passeio também é bem legal.

A subida inicia de forma muito íngreme com a Whistler Village Gondola. São pequenas gôndolas para 6 pessoas, que sobem a Whistler Montain e logo a paisagem fica de tirar o fôlego. 


A vila de Whistler vai ficando distante, conforme a gôndola vai subindo

A vila de Whistler vai ficando lá embaixo, cada vez mais distante e conforme subimos, o silêncio vai aumentando. Ao chegar na primeira estação, a primeira coisa que pensamos é: nem é tão alto assim!! Mas aí percebemos que ali é apenas uma plataforma intermediária. Precisamos desembarcar e subir em outra gôndola, dessa vez muito mais alta... subimos, subimos, subimos, subimos... ao total, a subida levou uns 20 minutos então dá para imaginar a altura.

Por incrível que pareça, quase todo o passeio é feito com a gôndola passando razoavelmente perto do chão, então nem dá para sentir aquela sensação ruim do medo de altura. Se até eu, que tenho pavor a altura achei tranquilo, é porque dá para encarar sem problemas.


Gôndola menor que leva até a Peak 2 Peak Gondola - passa mais próximo da montanha

Plataforma de observação antes de subir na Peak 2 Peak

Lá no topo, vem a parte mais legal do passeio. Pega-se a Peak 2 Peak Gôndola, onde cabem bem mais pessoas e que leva até o topo de outra montanha, chamada Blackcomb Mountain. Uma montanha fica distante 3km da outra e um cabo único, une as duas montanhas sem nenhum ponto de ancoragem no meio. É um trajeto que leva 11min para ser concluido, a uma altura de 436 metros. Só para comparar, o bondinho do Pão de Açucar no Rio de Janeiro, tem no ponto mais alto, 396 metros. Ainda não se convenceu? Que tal atravessar esse vale de 3km, com uma gôndola com fundo de vidro?

Mas nem todas as gôndolas tem esse fundo de vidro. Se você quiser ter essa experiência, precisa entrar em uma fila a parte que demora um pouco mais do que a fila das gôndolas normais. As gôndolas normais são da cor vermelha e as gôndolas com fundo de vidro, tem cor prateada. Demoramos apenas 15 minutos esperando pela gôndola de vidro e tivemos uma experiência única.


Peak 2 Peak Gondola Prateada, com fundo de vidro


Peak 2 Peak - Vista do vale entre as duas montanhas

Ao desembarcar da Peak 2 Peak do outro lado, tem um mirante enorme com um restaurante. No dia em que estávamos lá, no início de junho, ainda tinha neve, porém, não suficiente para prática de esportes. Ficamos imaginando que no inverno o lugar deve fervilhar de turistas e praticantes de sky. A paisagem daquela altura é espetacular e ficamos por lá um tempão, curtindo as montanhas.


Base da Peak 2 Peak, ainda com neve

Paisagem tão linda, com a vila de Whistler no fundo, beeem pequena.

Corajosos homens fazendo a manutenção nos cabos da gôndola

Depois fizemos todo o caminho devolta com as gôndolas, até chegar na base da montanha. Aproveitamos para passear mais um pouco por Whistler e terminamos nosso passeio comprando carne e carvão, pois a ideia era assar um churrasco no local onde iríamos pernoitar.

Queríamos ter pernoitado no Riverside Resort, pertinho de Whistler. Mas quando fui conferir a reserva que havia feito na noite anterior pelo celular, percebi que havia reservado o local errado e que ficava a 20km de Whistler, na voltando em direção a Vancouver. O pior de tudo, é que já estava tudo pago e não tinha mais como cancelar.

Então lá fomos nós, para a pernoite no Whistler RV Park and Campgrounds, que ficava subindo uma montanha no meio do nada. Para nossa surpresa, apesar de não ter uma infraestrutura de primeira, o lugar tinha uma vista maravilhosa. O que achávamos que seria uma frustração, acabou se transformando numa pernoite muito bacana. 

Assamos um belo churrasco, tomamos vinho sob a luz da lua e dormimos profundamente, agradecidos pelo dia memorável que tivemos.


Nosso local para pernoite no Whistler RV Park and Campgrounds

E um churrasco assando no fire ring

Você tem vontade de viajar de motorhome? Então veja as postagens abaixo, que já temos no blog:
  1. Nosso sonho: viajar com motorhome
  2. Planejando uma viagem de motorhome
  3. Formas de pesquisar locais de pernoite com um motorhome
  4. Detalhes importantes antes de pegar a estrada com um motorhome
  5. O que levar em uma viagem de motorhome
  6. O que comer no motorhome